Retalhos de um Ensaio de vida

Uma sexta feira qualquer

Era cedo, quase não havia ninguém na rua ainda, talvez tivesse mais cachorros do que pessoas naquele momento, eu estava sentado no calçadão esperando o primeiro ônibus do dia, sentia um pouquinho de frio e o sono ainda não tinha chegado, talvez pela adrenalina da noite, as bebidas ou os problemas que ainda continuariam. Era mais uma sexta feira que terminava sem sentido de um preenchimento momentâneo do vazio.

O rio não é uma de suas curvas

Um lindo rio que corria para uma lagoa, em suas margens de pedra em um belo vale montanhoso que o cercava por um verde que pintava todo horizonte que era possível de ver. O sol brilhava na agua e me refletia como um espelho, como uma forma de nos convidar a entrar naquele lago. Tinha algumas pessoas inclusive crianças se banhando. Eu mesmo com um pouco de medo coloquei meus pés naquela agua gelada e meio escura, tinha uma moça de uma certa idade que observava a todos, via nos olhos dela a vontade de entrar na agua também. E antes que eu me afastasse um pouco ela disse que era da terra, era libriana, que por isso não se dava bem com agua e preferia fica ali na pedra. Eu disse tudo bem, que bom que eu desconheço os elementos do meu signo, um dia me disseram que sou de gêmeos.

Quem vence nem sempre é o vencedor

Finalmente o time que eu torcia tinha chegado numa final importante, era um jogo que meu time não era tão favorito assim, mas me arrumei, coloquei camisa, bandeira no ombro o típico torcedor. A mulher nunca gostou de futebol, preferia as novelas ou algum reality show de culinária. Então fui ao estádio, para ela, era só mais um jogo, para me, era uma final histórica. Quando cheguei em casa ela estava dormindo foi até bom para não escutar minha voz roca e o cheiro de cerveja do banho que tomei na comemoração do meu time que tinha ganhado. Na verdade, gostaria que ela estivesse me esperando, ou tivesse ido comigo também. O jogo tinha acabado, os meus amigos foram embora, o que sobrou foi tomar um banho e jogar as roupas na lavanderia, fui dormir pensando como ser feliz sem compartilhar a felicidade com quem a gente gosta, acordei com dores de cabeça, era mais um dia normal de trabalho a base de café como todos os dias.

Amor compartilhado

Eu vi uma mulher chorando, ela estava feliz, seu filho acabara de nascer e chorava junto com ela também, seu marido estava lá, acho que feliz também, mas compartilhava sua felicidade no celular, não em fotos, mas em palavras que em um descuido pude ver sem muita curiosidade que ele tinha um encontro mais tarde em uma avenida onde era conhecida pelos motéis luminosos. Era meu último acompanhamento de parto e então poderia ir embora, já vi coisas bem piores, mas essa me deixou um pouco triste, era final de expediente, desejei boa sorte ao casal e fui curtir meu final de semana.

Eu te amo

Era início da noite, tinha marcado um encontro com uma amiga em um café, era um dia muito importante para mim, já estava cheio de guardar aquele sentimento mal resolvido, já não sabia o que fazer, ela já estava atrasada, talvez também eu estivesse muito ansioso. Até que ela chegou meio esbaforida, não com as roupas que eu esperava, mas sorrir mesmo sem querer. A cumprimentei e começamos a conversar, falamos sobre tantas coisas menos o que eu queria falar. No final, quando ela já estava indo embora, eu gritei pelo nome dela. E disse – “eu te amo”. Ela parou por alguns instantes e disse também “eu te amo”. Mas sei lá, foi tudo errado. Eu acabei descobrindo que o amor tem várias formas e aquilo só me causou um vazio maior. Veio uma frustração que eu já estava acostumado.  porque eu não dei apenas um boa noite?!

Fora da caixa

Uma das melhores ferramentas que temos é a pratica da observação tanto ao redor ou a de se mesmo, mas pouco vai ser útil para você se caso não tirar uma lição dela, e pode acabar transformando tudo em banal. Porque lá fora, realmente o mundo é banal, mas aqui dentro podemos dá o nosso desenho, criar o nosso recorte, usar nossas mãos de poeta e bordar o mundo ao nosso belo olhar. Assim, você também que não escreve, mas tem coração como qualquer um que já pisou nessa terra.  

Costumo dizer que a vida é um prato raso de bordas infinitas. O meu sonho é chegar nessa borda, mas me parece ser um paradoxo, as minhas escolhas sempre vão alargar as extremidades, mas se um dia eu chegar perante a ela, posso até ter medo, mas espero muito que a coragem seja maior que o medo para eu continuar.

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