Devanear, divagar, entoar

Foto Edsilva

Penso que se há alguma coisa no mundo que podemos ser assertivos é a não permanência das coisas. A gente se acostuma com algo, ou crer que podemos ter controle ou que nos rodeia seja perene. Mas de repente algo vem de lá e nos passa a rasteira, como se não fossemos nada, até mesmo as folhas secas do outono são mais resistentes as intempéries do tempo.

Mas nem por isso vou buscar o niilismo como resposta desse imenso abismo que nos persegue e nos vigia como um som de um tictac das madrugadas a fora. Mas sinto em me, essa vontade de potência como falou Nietzsche, que me traz aqui como uma das infinitas partes do que eu sou e não sou.

Desta forma de expressão que carrego e deixo fluir de dentro para fora e não que eu me veja assim nos meus momentos eremita, se bem que escrever debaixo de uma arvore observando as folhas caírem entre as páginas do meu caderno é sentir a vida dizendo que uma nova estação vem aí, que os mesmos ventos que levam as folhas insistem em mudar minhas páginas também, contudo eu resisto e digo não, mas quem somos nós para resistir, se resistir é sentir dor mesmo que essa dor não gere lagrimas.

Que imitemos a natureza em sua forma de ser, não que a resistência não seja algo que devemos ter, mas que sabemos a hora de deixar. Porque se transformar também é desconforto é assisti um pôr do sol em um dia nublado e assim agradecer, é pentear seus cabelos e se perfumar num sábado a noite sentido o prazer do lado vazio do sofá. Não adianta resistir ao inevitável se o inevitável já é desde quando a gente nasce.

Na minha infância eu só desenhava arvores, casas e o sol até que uma certa vez alguém me perguntou, “cadê o chão da arvore”, eu nem pensei, logo peguei um lápis e fiz uns rabiscos do chão, mas hoje eu sei que aqueles desenhos nada mais eram do que eu expressando o meu ser. A minha arvore até hoje não está completa, apesar de ter, chão, algumas raízes, galhos e folhas, porque ela sempre muda para não sentir muito a dor nas mudanças de estação, ah sim!!, o sol está  sempre lá mesmo que seja um dia nublado.

4 comentários em “Devanear, divagar, entoar

  1. Acho que este seu pensamento vem de acordo com um pensamento que há um tempo publiquei “A impermanência do efémero”.
    Quanto à sua arvore, posso-lhe dizer, que a arvore modifica em inúmeras situações da nossa vida. Por vezes os galhos são demasiado compostos, outras vezes sem folhas, outras com folhas (que por vezes faz partir galhos), as arvores são só nossas e nossas apenas, e por vezes para assentar no chão é necessário solo fértil, se não houver, qual é o propósito?
    Um beijinho querido Ed. 😉

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    1. Nossa!!! Que mergulho no texto hein. Você esmiuçou ele e percebi que entendeu bem. Tem que haver chão com certeza mas naquela época eu não tinha muita noção disto. Muito obrigado Irina pelo rico comentário. 😊. Beijos querida!!!

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  2. Senti um ser atravessado por um misto de emoções, inclusive o medo do não vivido e esperança por novos dias.
    Parabéns pelo texto, meu nobre! Bom exercício para sacudir suas folhas e acaraciar suas raízes.

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