Rascunhos de mim

Monte Serrate – Salvador -Ba

No lugar do despertador são as flechas de luzes que invadem a janela pedindo para eu levantar e aqueles cinco minutinhos antes de tocar os pés no chão olhando para o teto é quase que um ritual do dia pensando em tudo e pensando em nada. Coloco meus dedos no meu chinelo e o dia começa, só porque a minha Vó uma vez me disse que pisar com os pés descalços no chão ao acordar pega resfriado, Bom, nunca soube disso, já peguei tantos, mas também aproveito para não deixar as sandálias emborcadas, ela também me disse que dá azar. (risos)

E o dia gosta de correr, gosta de acompanhar o sol e quando a gente esquece um pouco dele os ponteiros já estão nos avisando que a rotina é que manda e o despertar dura algumas horas, me vejo como mais uma engrenagem presa no sistema obrigada a girar e não que haja juízo disso, mas é bom lembrar que o folego é finito e as possibilidades infinitas.

Mas eu sou desobediente e a música sempre me acompanha, no menor estalar de dedos já estou com meus fones de ouvidos fazendo uma torrada ou fervendo a agua do café, inventando alguma receita com ovos, raízes ou geleia no pão assim é meu café da manhã de sabores e gostos como também tenho pela música que não tem dia nem hora para ouvir, outro dia estava escutando música celta com influências orientais que me ajudam a mergulhar, a dissolver esse processo de escrita, no outro Indie brasileiro e daqui a pouco um piano e assim o dia foge entre meus dedos como um sonho pela manhã que quanto mais a gente insiste em lembrar mais parece uma invenção que nosso cérebro quis pregar.

Que pena que não é todo dia que tenho tempo de viajar nas minhas rotinas,
De transformar o peso do dia em poesia,
De todos os dias poder pintar o céu que eu vejo ao acordar e nos fins de tardes
Escrito num rascunho de papel,
Sei que nos tempos de hoje a gente vive economizando palavras e sentimentos,
Mas se é de verdade deixa brotar,
deixa o seu eu se expressar.

São tantas coisas para dizer e sentir ao escrever, que as vezes uma breve pausa é bom para frear essa minha impulsividade que me faz sentir vivo e carregado de energia como um trem que sai dos trilhos e não se perde no caminho.

E a música me acompanha, é chegado ao fim do dia onde tenho mais tempo para pensar e devagar, não sou daqueles que canta no banheiro, mas levo a música comigo, mesmo que um mergulho de alguns minutos debaixo do chuveiro, as vezes vem aquela sensação da minha vida passando como numa tela de cinema e sentindo a agua escorrendo pelo rosto cobrindo meus olhos acabo entrando numa psicodelia, que me transcende, descobre, que me desnuda e me choca  ao encontro deste momento míope nesta matéria orgânica consciente que está no presente.

A hora de dormir é bem-vinda porque o sono me chamas, mas antes de mais nada preciso ver como estão as estrelas se o céu hoje perdeu a vergonha e mostrou sua beleza nua e crua que no primeiro relance o brilho de vênus e as três marias são as primeiras vistas, mas se o dia não for delas, tudo bem, me despeço com mais uma música ou algumas páginas de um livro quando não, o silencio toma conta.

7 comentários em “Rascunhos de mim

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