Do lado de dentro

Sentado à mesa
Nuvens lá fora
O sopro do vento
Resvala meu rosto
Aclara as lembranças

Sombras desenham as paredes
Os retratos estão no chão
Meus dedos ansiosos
E o lápis quase acabando

O barulho das gavetas
Chacoalha os souvinirs  do quarto
Lá fora os chinelos e o silencio
Lá fora a poeira da caminhada
Aqui dentro é alma e rocha desgastada
Aqui dentro é agua e vida abrasada

Papeis voam sobre a sala
Se escondem debaixo do sofá
E alguns a sorte leva-os a prateleiras da estante
Quem deras a porta não desse em corredores
E as janelas em alomborados e prendedores
Quem deras as conversas de elevadores
Fosse mais que um bom dia vazio
Ou se vai chover hoje

Do lado de fora as janelas jogam cinzas de cigarro solitário
Em cima as crianças brincam de rimas, pegas e lego
Do lado de dentro uma bagunça
Que tento pôr em versos
Do lado de dentro um quadro pendurado
Em que me vejo.

6 comentários em “Do lado de dentro

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