Constante atemporal (Parte I)

A vida dá voltas muito além do que qualquer ser humano pode acreditar, e muitas das vezes somos como uma pequena engrenagem de uma máquina que opera desde os pequeníssimos detalhes a fenômenos que beiram os limites de nossos entendimentos e imaginações mais robustas que possamos ter, e nós temos como ambiente o universo e nossas adjacências internas e externas, o como cada um percebe o que acontece ao seu redor e reflete isso em ações e emoções. Tanto faz a formiguinha que trabalha dia e noite alterando seu ambiente, como um cometa que cumpri sua órbita e ciclos, que é demais para qualquer ser vivo ver mais que uma vez. Ainda sim toda essa orquestra é muito pequena para concebermos tal grandeza.

Ela tinha 18 anos e se chamava Fabricia uma menina magrinha e muito meiga de pele amorenada jabuticaba cabelos curtos com aquele jeito de mulher que já sabia o que queria da vida, sempre sorridente e brincalhona era assim que pelo menos Eduardo que tinha 15 anos a percebia nos períodos que ele tinha a oportunidade de ir passar suas férias na grande cidade ou algumas datas comemorativas de aniversário de sua Avó Selenita. Existia um amor e admiração muito grande entre eles dois. Na troca de olhares, nas suas brincadeiras, nas saídas despretensiosas para ver se o outro estava na porta ou na varanda, existia ali uma energia magnética muito forte entre eles.

Apesar desse enorme sentimento ambos não tinham coragem de falar para o outro, Eduardo por uma timidez descabida de uma pessoa muito introspectiva que continha toda aquela energia na falta de coragem de se declarar e muitas vezes por vergonha e Fabrícia que devido a frieza de Eduardo diante a sua intensidade achava que não era recíproco o seu amor por ela das suas várias tentativas frustradas. E também a distância e os intervalos de tempo que levavam sem se ver a vida deles tomaram rumos diferentes. A chama daquele sentimento já não era como antes, mas sempre que ela sabia que ele estava por lá a passeio ela dava um jeito de vê-lo, pelo menos para cumprimenta-lo, ela conseguia falar pelos seus olhos, pelos seus abraços, aquele sorriso que não perdia sua elasticidade, mas Eduardo com sua cegueira sentimental passava longe de corresponder toda aquela energia que Fabrícia transbordava.

E como toda vida que segue sem nos pedir pausa Fabrícia começou a trabalhar no comércio e simpatizou por um rapaz e logo fez família, já tinha passado tempo demais e ela já não morava na casa dos pais, Eduardo arrumou uma namorada na universidade, mas antes que terminasse seu curso já não estavam mais juntos, formou e começou a trabalhar e a namorar uma colega de trabalho que durou bastante tempo pareciam até que iriam casar até que numa crise de ciúmes insustentável da sua namorada mais uma vez Eduardo estava solteiro.

Quase duas décadas haviam se passado e os dois não se viram mais. A única coisa que ele sabia dela foi que por motivos de muitas brigas Fernanda tinha se separado do marido e voltado para casa dos pais, tentando um recomeço que inicialmente foi muito sofrido em razão da forma que foi o seu retorno com um filho já adolescente.

E de maneira inesperada e muito casual ele estava na casa que era de sua Avó olhando o movimento da janela, na verdade esperando o ônibus passar pois de lá de cima ele avistava o ponto de parada, talvez nem lembrasse mais de seu amor juvenil, até que Fabrícia passou pela rua vagarosamente ocupando suas mãos com sacolas de mercado. Ele teve um pouco de dúvida e receios, seu coração de repente acelerou e sua respiração deu uma pequena pausa de alguns segundos para ganhar fôlego e gritar o nome dela. – FABRÍCIA !!!

Antes que ela olhasse para cima já sabia que era ele, naquele momento o tempo congelou, o movimento na rua perdeu seu barulho, as pessoas desapareceram e ele mal acenou lá de cima já estava descendo as escadas rapidamente. Para Fabrícia parecia que o tempo não havia passado, que tudo que tinha acontecido e aquele sentimento não declarado tinha começado ontem e Eduardo a cada passo que ele dava em direção a ela caia sobre seu corpo o peso do tempo, as histórias individuais que os haviam separados, que nada daquilo fazia mais sentido. Mas o abraço dela ainda continuava a falar, seus olhos sorriam e suas palavras pareciam querer atropelar a próxima de tanta felicidade de estar ali com Eduardo. Que por outro lado ele tentou corresponder mostrar um pouco do que estava sentindo mesmo que tentando dominar tudo com sua racionalidade e incertezas.

Desta vez ele era um homem amadurecido, com ranhuras da vida, com postura e olhar reto e mesmo que para ele não fosse mais a mesma coisa ele arriscou em chamá-la para sair, não interessado em flertes, mas pela amizade que os dois mantinham mesmo que distantes.

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