Avelhantado

Corredor da Vitoria – Salvador – Ba

Aspereza dos olhos inquietos
Paredes que penduram nomes
Um vaso vazio carregado de sobras
Piso frio e almofadas desabotoadas

O barulho dos pratos inibe a fala
O bule de café não assovia mais
A toalha da mesa enrugada
As camisas de domingo
Tem cheiro de armário velho e traças

A idade não conta mais com os dedos
O abajur no cantinho da parede
Ilumina a radiola a noite
Clareia os LPs arranhados

Teto de sonhos em preto branco
Delírios preso por fechaduras enferrujadas
O barulho das cortinas traz ventos preguiçosos
De vez em quando velas apagam
Sopram vozes e secam as roupas molhadas

Sobremesa com sabor de antiguidades
Prateleira com resto de vidas passadas
Filmes fotográficos e selos de cartas
Peso de coisas não recicláveis

O ponteiro do relógio não condiz com a altura das sombras
Os romances cheios de orelhas e marcadores de pagina
Na mesa uma manga longa amarrotada
Um lápis, borracha e algumas incertezas
Várias folhas de papeis amassados.

3 comentários em “Avelhantado

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