Malabarismo cotidiano

Foto por Luiz Fernando em Pexels.com

Olha lá minhas alegrias e dores flutuando sobre as nuvens de minha psique
Seus lados opostos tentando buscar equilíbrio onde não há
Arrastando o tempo como quem acha que o dia tem ansiedade para acabar
Mas o tempo não tem sentimento, muito menos pressa para andar

Olha lá os ponteiros se cruzando como pessoas que se cruzam nas esquinas de horas urbanas
 A xicara de café abaixo do meio pedindo que o lado vazio seja preenchido
Mesmo que a mão de quem viaja não saiba mais quantas vezes foi a copa
E lá pelas tantas o vazio também ganha sabor e cheiro de coração obliquo

O telefone toca, o tinteiro chega ao fim e os papeis preso no armário
As janelas trazem um céu nublado e os sapatos pés machucados
O sorriso é um desenho caricato de jornal velho que nem os avós lembram mais
As flores são de plástico tem poeira e cheiro de cigarro

Olha lá um malabarista no transito equilibrando bastões enquanto joga os para cima
E logo a sua frente uma criança distraída perde a atenção e olha para cima
É um homem lá do terceiro andar de cores cinzas com papeis, telefone e xicara nas mãos
A criança olha para mãe e diz.
– Mãe ele também é um malabarista?

2 comentários em “Malabarismo cotidiano

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