Casa Velha

Os rabiscos molhados de outrora
Me levaram a um passado liquido
Derretido pelos devaneios de menino
Coração apressado, mãos pronunciáveis
Olhos que apontam para o mesmo lado que os pés descalços

O sol estatelado na cabeça envelhecendo o chapéu e minha testa
A escola e o campo em lugares opostos e o meu chão aqui
Caixinhas de madeira contam história até mesmo vazias
Se o choro estiver longe é melhor nem as abrir

Algumas bolas de gudes, um gatinho de madeira, papeis e varetas
Um lápis quebrado, pinceis e poeira
Onde estão as obras, as impressões, as memorias
Um recorte guardado no tempo

Espalhados pelo assoalho do quarto
Quadros que se fizeram eternos
Pendurados por paredes e brochas
Descascados pelas cores da ferrugem
Contamina o peito e as pinturas
Por fim as mãos duras

Uma porta sem endereço
Crava ali a identidade
De um menino lambido de lama
Um sorriso de orelhas
Ouvindo, A comida está pronta!

Olha só como um retrato velho
Ganha forma e movimento
Como a vida é fruto dela mesmo
E a gente acaba encontrando pedaços dela

Nos fios pretos e caixotes velhos
Nos cheiros de antigamente
Num frasco de perfume que traz o cheiro dela
Os infinitos da vida numa visita a casa velha.

2 comentários em “Casa Velha

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s