A Sós

Não cabe a mim te inventar
Te desfragmentar
Criar Rabiscos de você

A música que nós estávamos dançando
Hoje só toca em minhas memorias
O perfume tem cheiro de roupa suja
As flores murcharam, mas as pétalas estão salvas
Nos livros que escrevi sobre a gente

A bicicleta não vai mais aos bosques
A senhora da barraquinha já não faz doces tão saborosos assim
Os meus pés cinzentos não encontram mais arco-íris
O céu parece mais distante
Os meus pinceis tem cores anêmicas
O que sobrou é reinventar você

Os pomares de girassóis não dizem a hora que a gente volta
As penumbras de fim de tarde escondem meus versos nas sombras
São três horas da manhã e a TV ligada
Algumas notícias, uma voz pálida e um copo d’água

É sobre ti e as arvores que andavam junto com a gente
É sobre nós e os girassóis que zumbiam enquanto a gente passava
É sobre uma pausa no tempo esperando quem sorrir primeiro
É sobre os olhos de quem não estar aqui
Não cabe a mim reinventar você.

5 comentários em “A Sós

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