O Não Pertencimento

Insistimos em coisas que não nos fazem bem ao passo que apenas elas dão luz as palavras pertencentes ao ego. Aquebrantando nossas raízes, camuflando nossos olhos, limitando o belo pelas sombras da ignorância. E os sentimentos muitas vezes como um trem desgovernado sai dos trilhos e criam rugas em nossos corações. Não dando tempo de fazer a gente pensar que é mais uma tempestade que está passando, uma zona de convergência que provoca turbilhões de quimeras afins de soluções infindáveis. E muitas vezes o suficiente é ficarmos parados para tudo aquilo passar ou ao menos dá uma sensação de problema solucionado. Mas na verdade tudo não passa de uma ilusão e acaba por entregar uma realidade que não suportamos tais angustias em nossos momentos de apertos. Desejos inglórios de um eterno retorno.

As singularidades da vida, aquilo que temos como consequências próprias do que somos, talvez seja o extrato de nossas ancestralidades. Como uma grande pedra na cabeceira de um rio que até certo momento ela é um obstáculo, mas de acordo com o tempo, aquela fluidez da agua vai se provando que a pedra por maior que seja ela vai se lapidando, se moldando ao fluxo desta liquidez corrente. E logo o que era obstáculo se mostra diferente, faz parte daquela existência (fenômeno). E assim é o indivíduo na perene fluidez da vida.

 Não somos donos dessas consequências, mas fazemos parte inteiramente desse processo que nos atravessa. Criando nossas identidades e ao mesmo tempo nos esmiuçando em um caminho sem volta que talvez sejamos donos de algumas decisões e de outra uma gota da agua que precipita das nuvens e nas aleatoriedades do que chamamos de destino. Esta gota da agua venha a cair no jornal do senhor que estava sentado num banco da praça e logo reclame que o tempo está nublando.

E no desespero em busca de iluminação que nos cegamos com a luz. Procuramos o silencio sem dá o devido tempo para a mente se acalmar e os ruídos não deixam que escutamos a voz interna. E nossas raízes em mais uma tentativa frustrante tentando nos dar um norte se afoga nos mares dos nossos apegos, na realidade que achamos ser protagonistas das peripécias que a vida nos presenteia todos os dias e acabamos por reclamar de coisas que não são nossas de caminhos que inventaram sem te perguntarem o porquê de você está ali.

9 comentários em “O Não Pertencimento

  1. Concordo com você Edsilva. Suas palavras são tão verdadeiras. Em algum momento, todo mundo tem aquele momento cruel e doloroso em que você percebe que mais portas já foram fechadas do que ainda podem ser abertas. Há apenas uma saída – pensamentos. Neste mundo secreto da saudade, no qual não é preciso se comprometer, é livre.
    Viele Grüße von Rosie

    Curtido por 1 pessoa

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