O curioso caso da Viajante Beth

Wu Wei

Aceitar o fato de que os problemas são uma criação de nós mesmos. Os problemas não surgem do nada, são criados por nossas ações e por nossa mente
Ponte J.K – Brasília

Era dia nove de agosto de 2021, mais um dia comum na capital de Brasília e eu estava numa conexão longa de mais de treze horas onde tirei esse longo tempo para conhecer a cidade, pelo menos a região administrativa do plano piloto. O meu objetivo era chegar na cidade de Palmas – To. Já era o fim de um longo e belo passeio que eu estava acompanhado de minha amiga Jessica que residia em Brasília e me ajudou muito a conhecer os principais pontos turísticos da Capital e foi aí que tudo começou.

Faltava entorno de duas horas para o meu voo. O relógio neste momento marcava seis e trinta e sete da noite e a gente estava numa espécie de transbordo rodoviário de onde eu pegaria meu ônibus de volta para o aeroporto. Até que apareceu uma senhora que aparentava ter próximo de seus sessenta anos que se chamava Beth. Ela estava bastante esbaforida e falava pelos “cotovelos” acompanhada de sua filha que não lembro o nome, mas aparentava ter abaixo de trinta anos e não parecia nervosa como a sua mãe. Pelo menos foi como elas se apresentaram para mim. Apesar de tudo a senhora Beth nos deu boa noite de forma educada e me perguntou se o ônibus que iria para o aeroporto já havia passado. Logo responde que não e que eu estava indo para lá também. E em seguida ela me perguntou quanto tempo levaria até o aeroporto pois ela estava muito preocupada com o horário já que faltava menos de 50 minutos para o seu voo. Ambas estavam indo para o aeroporto de Vira copos – Campinas, são Paulo. Eu logo disse a ela que era melhor procurar um Uber ou taxi pois era horário de rush (pico) e o ônibus já estava atrasado. Então ela agradeceu e foi embora resmungando com a sua filha, pondo a culpa do seu atraso nos seus familiares e bla bla bla…

Eu estava na minha paz, bem tranquilo conversando com minha amiga Jessica sobre os lugares que a gente tinha visitado até que algo na minha cabeça me questionava o porquê você não vai ajudar aquela senhora com a filha?! Elas não vão conseguir chegar lá tempo! De qualquer sorte você chega lá mais rápido e racha o transporte com elas. Então eu tomei a decisão de chamar elas e dizer que iria junto. A princípio percebe pela feição de Jessica que ela não havia gostado da minha decisão porque estávamos na paz e dando muitas gargalhadas. Até que comecei a chamar o Uber pelo meu aplicativo e por incrível que pareça mais de quatro Uber seguidos não estava aceitando a nossa corrida então eu imaginei que o lugar que estávamos não era de fácil acesso e andamos por uns quinhentos metros à frente e a senhora Beth teve um pequeno surto de ficar reclamando de tudo e de todos aos gritos e eu tentando respirar fundo para não entrar na onda dela, eu estava ali simplesmente para ajudar e finalmente o Uber apareceu nós entramos no carro e eu me despedir de minha amiga Jessica.

E dentro do carro essa senhora começou a reclamar do motorista e falando mal de outros Ubers e foi bem perceptível que o motorista não estava gostando daquelas conversas e eu me mantive em silencio e com medo que o motorista nos colocassem para fora do carro no meio do caminho. Sua filha também estava quieta, provavelmente ela já conhecia os comportamentos de sua mãe quando estressada. Por sorte conseguimos chegar lá com uns quinze minutos de antecedência do voo da senhora Beth, pois o meu voo faltava quase uma hora ainda. Logo em seguida ela me deu o dinheiro que era a parte delas para pagar o motorista e saíram às pressas a procura do seu portão de embarque e eu paguei o motorista e agradece por ele ter agilizado na corrida.

E aí vem o mistério que até hoje nem eu e nem a minha amiga Jessica conseguiu desvendar. Eu estava sentado na cafeteria do Starbucks tomando um cappuccino enquanto esperava o meu voo, faltava menos de meia hora para o meu embarque até que aparece a filha de Beth num grande desespero dizendo que nunca tinha voado na vida e não sabia como encontrar o portão de embarque dela. Achei muito estranho por sinal porque a senhora Beth não estava com ela e ambas estavam indo para o mesmo lugar, pelo menos foi o que tinha me dito. Só que eu já estava tão chateado com a situação que nem perguntei nada e para me livrar logo da situação deixei ela no seu saguão e seguir meu caminho me perguntando o que havia acontecido com a senhora Beth? O que a filha dela estava fazendo todo esse tempo desde que o motorista tinha nos deixado no aeroporto? Porque ela não pediu ajuda a um segurança ou algo do gênero? E como ela me encontrou naquele enorme aeroporto?!

Eu refletir bastante naquele dia e cheguei à conclusão de que era para eu ter ficado lá no meu ponto de ônibus e tivesse vindo com a minha amiga apesar de que ela teria que de lá voltar para sua casa. O dia foi muito especial, mas aquelas últimas horas tenho que confessar que não foram nada agradáveis. Ajudar as pessoas é muito bom, mas é sempre bom também avaliar as circunstâncias porque muitas vezes podemos acabar nos prejudicando também.

Esplanada dos Ministérios – Brasília

13 comentários em “O curioso caso da Viajante Beth

    1. Olha Silvana, esses perrengues gratuitos são tensos viu. Eu tenho minhas sérias dúvidas se a mulher que estava com ela era filha dela. As informações não bateram. Ainda mais depois que encontrei a filha dela novamente me pedindo ajuda. Ja que estavam com tanta pressa. Se cuida !!

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