Divagando sobre papeis desbotados

Poética estática cores velhas/ Edsilva

A leveza dos meus pés vem da minha imaginação
Onde tropecei por várias idades
Desandei pelos desejos
Caminhei por rios que me afogastes
E para tudo que eu via
Existia as vias de contramão

Mas das cores desbotadas
Hoje eu tenho saudades
Do café pisado da fazenda
Do cheiro de terra molhada
Dos pintinhos correndo nas folhagens
Da minha avó que não sabia dizer não

Do batente e o sol que ferviam nos campos
Dos dias preguiçosos de tons cinzas de chuva
Da boleia do caminhão que levavam as plantações

Olha lá quem vem
Dizem que é o passado pintado no papel
Memorias debruçadas sobre luzes
Detalhes sutis que não se traduzem
Momentos que não voltam mais

Acho que os segredos das lembranças são os nossos sentimentos
Que se escondem atrás dos nossos olhos e as vezes tem vergonha de aparecer
Que acelera nossos momentos e talvez algum dia a gente esqueça
A não ser que esteja guardado, dotado, fotografado, sacramentado…
Nos testemunhos que a vida não revela e nem desvenda
Enquanto nossos olhos continuam fechados.

vinte e cinco flores e meia
Poética estática preto e branco/ Edsilva

4 comentários em “Divagando sobre papeis desbotados

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