Um abrigo necessário

Era um dia nublado e sabiam que iria chover, era apenas questão de tempo, mas ainda assim ela ligou para ele e o convidou para caminhar numa área de casas antigas abandonadas em meio a uma vasta área verde com muitas mangueiras e jambeiros que inclusive em tempos floridos o gramado ficava rosa de tantas pétalas que caiam em meio a outras arvores também. E aquele encontro não tinha nada de romântico, mas havia uma troca e cumplicidade de problemas e momentos bons do dia a dia e a cada passo que davam a apreensão da chuva.

– Eu tive um sonho hoje que me fez acordar três vezes na madrugada, foi muito estranho porque eu não conseguia sair dele, era como se ao dormir novamente o sonho continuasse da parte anterior, como se estivesse dado pausa num filme sabe e logo em seguida apertasse o botão do play. Eu sonhei que a agua do mar estava emundando o continente e que já existia quase lugar para sobreviver e já estávamos no ultimato pois vinha de um lugar bem distante uma onda que dava para ser vista a quilômetros de distância e que nada poderia ser feito a não ser a angustia de esperar pelo pior, eu não sei se era horrível dormir e acordar e estar preso no mesmo sonho ou aquela angustia que eu sentia junto com outras pessoas que estavam desesperadas. Assim foi Natan relatando o seu sonho com a sua amiga Elisa que simplesmente disse a ele que sonhar com a agua invadindo o continente era o corpo físico pedindo equilíbrio com o emocional.

De repente a chuva começou e por Elisa continuaria a caminhada, mas Natan disse que não estava no clima e que poderiam se abrigar numa dessas casas antigas abandonadas esperando que pelo menos diminuísse o seu volume da chuva ela ainda insistiu, mas como viu resistência resolveu escolher uma varandinha para ficar. Os dois estavam molhados e com um pouquinho de frio e Elisa resmungou dos seus sapatos molhados e que se fosse para ficar assim que tomasse toda a chuva. Natan pediu calma e disse que logo que a chuva se abrandasse que iriam.

– Olha Natan eu sou uma pessoa muito elétrica e não consigo ficar parada muito tempo num lugar eu tenho que sentir em mim as coisas passando, o tempo passando, a vida passando e para baixar essa adrenalina de ansiedade já fiz coisas que não foram nada boas pra mim, eu não sei muito bem o que fazer mas está em movimento me faz bem, me faz diminuir os pensamentos do que tenho que fazer amanhã e isso me atormenta bastante porque na maioria das vezes esse monstro que eu imagino não passa de uma borboleta a procura de uma flor para se acolher. O tempo está aí fora e eu sei que as coisas não vão para. Enquanto Natan ouvia o desabafo de Elisa, ele refletia sobre tais circunstâncias e disse a ela.

– Acredito que seja impossível nós aceleramos o tempo ou mesmo diminui-lo pelo nosso bom e pleno gosto. Quando a gente chegou aqui ele já existia. Talvez nos só demos um nome a ele e não temos muito o que fazer com isso a não ser viver um dia de cada vez, que possamos sentir tanto aqui dentro como lá fora, talvez não seja uma má ideia está sempre fazendo alguma coisa mas se você não se dê alguns bons momentos para se escutar, para sentir o que seu interno está pedindo só vai aumentar esse abismo dentro de você e não adianta o que façamos o tempo está passando então ouça mais o que o seu coração está pedindo. Para não significar estagnar. A vida também pede por isso.

Elisa olhando para ele meio incomodada com a chuva e continuou a conversa dizendo que na pratica ela não tinha controle sobre essa tempestade dentro dela até que a chuva diminuiu e Natan disse. – Vamos? Ela olhou lá fora e disse que a chuva continuava a cair. Mas logo em seguida eles foram embora. Ela ainda iria fazer comida e ele fazer uma visitar a sua mãe quem sabe até não almoçasse por lá.

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