Lá estavam duas faces queimadas pelo sol, atravessadas pelas ranhuras do tempo e por rugas expressivas; não sei ao certo se havia um sofrimento encoberto pelos rostos sérios, compenetrados. O primeiro momento parecia estático naquela motocicleta em movimento que cortava a pista sem muito entusiasmo. Aspirava-se um amor sem fome, desejos oblíquos e uma certa… Continuar lendo Sobre faces ao vento
Céu azul esbranquiçado
A passagem da vida tem suas fases, e as memórias deixam rastros ao longo do tempo que não volta mais, mesmo que, porventura, revisitemos aquele lugar por uma temporada ou a eternidade. Não existe saudade tão grande que consiga trazer essas memórias de volta a ponto de revivê-las. Fica apenas um gostinho bom, um gostinho… Continuar lendo Céu azul esbranquiçado
Olhando voce existir
Há dias em que o amor aparece tão vivo que a gente sente até o calor dele. Sabe seu nome, seu endereço. Num suspiro, já sorrimos com os olhos. Mas, muitas vezes, nem queremos voltar para casa. "Fica aí, toma um café, sei lá...", inventamos qualquer coisa, só para continuar olhando você existir.
Tempus Fugit, Memoria Manet
O tempo foge, a memória permanece Lá fora, o tempo corria como quem vê, pela janela, nuvens pesadas de chuva. E, naquela ventania rebelde, ele se apressou: abriu a porta dos fundos e tirou as roupas do varal, enquanto a água do café começava a derramar sobre o fogão. Algo, porém, pela janela, chamou sua… Continuar lendo Tempus Fugit, Memoria Manet
O rio sempre corre para o mar
Eu te observo nos meus sonhos, nas nuvens que pareciam não sair do lugar, nos pensamentos que não pediram licença para entrar, nas pessoas que cruzaram meu caminho e deixaram no ar um perfume semelhante ao teu. Observo-te nas tuas roupas de cores apasteladas das tardes de domingo na praça, no cheiro de churros que… Continuar lendo O rio sempre corre para o mar
A fotografia do lago
Eu deixei ir, mesmo sabendo que a saudade iria te buscarnas músicas, nas notas de chocolate meio amargo com framboesa.Ainda me lembro de você correndo pela praia como se fosse abraçar o marcom aquele sorriso que afugentava qualquer dia ruim. Às vezes, a gente fazia o universo caber em nossas mãos.A vida ficou mais rara… Continuar lendo A fotografia do lago
Do que Cabem os Dias
Não sei quanto tempo vamos ficar por aqui. Tudo é tão rápido, tão repentino. Outro dia, éramos sonhos; pedacinhos soltos que os ventos da sabedoria sopraram e, de algum modo, juntaram. Pedacinhos de memórias com os pés calejados de tanto se aventurar descalço por aí, de não ter medo do que a vida tem a… Continuar lendo Do que Cabem os Dias
Não obstante, agora
Eu quero dialogar com as tuas escolhas — aquelas que me trouxeram até ti.Eu quero sentir o calor da tua pele — quando o teu coração teve pressa de me verTocar nos teus sorrisos ingénuos — aqueles que os olhos e as bochechas não conseguiram esconder. Sentir o friozinho na barriga de quando a coragem… Continuar lendo Não obstante, agora
Série fotográfica Corpo, Vida e Mar
Movo-me no Efemero,No corpo, No imperfeitoNa dançana textura,impermanencia areia e mar.
O Fim do Universo
Somos vida desaguando nos mistérios do universo,a continuidade e a pausa da natureza que nos transforma.Um ver além não muito distante do próprio presente;uma constante travessia entre a dor e a alegria de ser quem se é. As traduções da alma, feitas de tato e olfato,carregam a textura do orvalho das manhãs. O tempo corre… Continuar lendo O Fim do Universo