Beiradas da vida

As pontas dos meus dedos farejam pensamentos
Na trilha de um peregrino em busca de novas palavras
Uma respiração profunda e uma fotografia sem molduras
Um piano velho e uma janela sem paisagem
Raízes no rosto e um sorriso fosco


Minha mão deitada sobre uma folha de papel em branco
Escreve sonhos e borda realidades das quais as visitas
Talvez ficaram sem lembranças, sem os temperos
Sem as andanças

De quem olha com os olhos
Que perdeu a curiosidade, o entusiasmo
Se entregou a rotina
As florestas sem paisagens

Papeis na calçada, arvores e cachorros
Os tons desbotados do dia e do sapato velho
Que meus dedos não se acostumaram
Quem olha para o chão não ver minhas pegadas
Muito menos os dedos machucados

Como eu gostaria da sorte
De me esbarrar por aí
Com um desses papeis voando
E nele o mapa das minhas escritas
Mas o vento sempre sopra as incertezas
E a gente como um fogo de vela
Baila pelas beiradas da vida.

5 comentários em “Beiradas da vida

Deixe um comentário